um fiapo na minha lingua. Sem palavras.
meus olhos ardem de sono ainda assim. não quero dormir. não ainda
espero débil o sol me dizer que mais um dia vai ser como os outros e lutei contra o sono, contra o passado. Mas ambos me invadiram contra minha vontade. Meu lábio cheio de amargura, angústia e rancor. Todo o trabalho de um dia se destrói assim, em segundos, mas eu espero, fecho as janelas até desabar, quem sabe meus sonhos eróticos esvaziem um pouco desse copo, limpem um pouco desse gosto. Tudo é tão trivial. As vezes odeio meus desejos. As vezes desejo a amnésia.
um gole de aquavit
vento do norte
e o fogo queima dentro de mim
as vezes só as vezes eu queria. me perder numa quartafeira. andar pela paulista e descer pela augusta, parando de bar em bar. fazendo e perdendo amigos, gastando dinheiro e pedindo cigarros, até me perder no centro
dyn’ name muz yk fergesen. du bist nykt mer. yk imer layd’n sofort.
Der Hyml yz wayt wayt weq
»Ich finde es unanständig, vorsichtig zu leben, ich kann’s nicht«, schrieb Emmy Ball-Hennings.
Cada instante do presente oculta o passado. Para sempre. Cada segundo é uma palavra esquecida e a sensação de haver perdido algo que não se sabe o que é. A vida se estrutura em contemplações de tédio; em perplexidade frente ao vazio dela mesma. Não há afetos que perdurem, narrativas que se sustentem e as ruínas, sem nome ou memórias de si, passam a ser só destroços.
o casal Rosemberg amordaçado
os lenços ensopados de barbitúricos
o soro da verdade
e o som tedioso e rítmico
do polígrafo
e essas obsessões todas. Que durante a noite criam vida para tentar me engolir. Dentro de seus mecanismos repetitivos de fetiche. Engrenagens de ossos, carne e tendões. Imagens desgastadas, ruminadas. Essa hora do lobo das madrugadas e seu refrão. Estende a mão busca um remédio, ou dois, um trago, ou mil. Essas vozes repetindo o fracasso, desejando o exílio onde quer que ele esteja, odiando o presente e o reflexo no espelho. O tempo estático da noite de inverno. As palavras de sempre repetindo o chavão, o mantra do desespero, ondas de marola do inferno, refém do próprio pensamento circular, estático, solipsista. E nunca termina…
Ich
Ich glaub’ das zu träumen
die Mauer
Im Rücken war kalt
Die Schüsse reissen die Luft
Doch wir küssen
Als ob nichts geschieht
Und die Scham fiel auf ihre Seite
Oh, wir können sie schlagen
Für alle Zeiten
Dann sind wir Helden
Nur diesen Tag
Dann sind wir Helden
Dann sind wir Helden
Dann sind wir Helden
Nur diesen Tag
Dann sind wir Helden